O desempregado Douglas Alves de Souza, de 20 anos, passou 105 dias preso depois de ser parado em uma blitz em São Bernardo do Campo (SP). Os policiais disseram que dentro do carro dele havia um tijolo com 720 gramas de maconha. Porém, imagens registradas pelo funcionário de um condomínio, localizado bem em frente ao local da blitz, mostram que os próprios PMs colocaram a droga dentro do carro do rapaz. A matéria foi veiculada com exclusividade pela Tv Record.

Ao comentar o grave erro policial, a advogada criminalista Daniela Tamanini, de Brasília, defendeu a importância de se rever o conceito de que “os depoimentos de policiais, quando coerentes e firmes, aliados à quantidade de droga apreendida, são suficientes para a condenação por tráfico de drogas”. E acrescentou: “com o mais devido respeito, a palavra do policial, por si só, não pode ser considerada como prova suficiente para condenação criminal. A dúvida tem que ser interpretada em favor do réu”.

Sua colega de profissão, Juliana Porcaro, disse que, é fundamental para a segurança do cidadão que sejam instaladas câmeras, câmeras corporais e nas viaturas. “É tão barato!”, afirmou. Acrescentou Porcaro que “a presunção da veracidade do que diz a autoridade policial é um conceito construído para atender à década de 40.

– Hoje temos uma tecnologia barata (e contra fotos e vídeos não há argumentação) que nos dá segurança da verdade real. Não entendo porque não a implantamos de forma definitiva e resolvemos facilmente essas questões”, concluiu.