“Sou totalmente favorável, já tendo deferido dois habeas corpus, autorizando o plantio e a respectiva colheita para o consumo do canabidiol para fins terapêuticos. A afirmação é do ex-presidente da Ajufe e atualmente juiz federal titular da 2 Vara Federal em Natal (RN), Walter Nunes, ao ser indagado pelo site sobre a opinião em relação à liberação do canabidiol para fins medicinais. Segue a resposta do magistrado que também é Corregedor do Presídio Federal de Mossoró e membro Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária:

“Em verdade, já temos autorização para a importação do canabidiol industrializado. A Lei 11.343, de 2006, no art. 2o., parágrafo único, determinou que a União regulamentasse o plantio, a cultura e a colheita de vegetais dos quais possam ser extraídas substâncias definidas como drogas. Infelizmente, a Anvisa, ao regulamentar a matéria, permitiu apenas a importação do produto industrializado, o que é caro e extremamente burocrático.

Isso afasta a população mais carente do acesso a uma medicação fundamental para o tratamento de várias moléstias. Além do mais, essa postura inibe o Brasil de desenvolver pesquisas nessa àrea, privando a nossa comunidade científica de participar ativamente nesse campo, sem falar que essa omissão da Anvisa igualmente prejudica a economia do país, na medida em que fecha as portas de um importante mercado de trabalho e de geração de renda para a indústria farmacêutica nacional.

Assim, se não fosse suficiente ser a favor do plantio da cannabis para fins terapêuticos tendo em consideração o direito à saúde e questões de ordem humanitária, essa posição se sustenta igualmente para a nossa produção científica, para a geração de emprego e renda e, enfim, para a indústria farmacêutica do nosso país.””