Do presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim) – entidade com 26 anos de existência -advogado Michel Saliba sobre a proposta do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel de recorrer à Comissão de Segurança da ONU para pedir o fechamento da fronteira do Brasil com a Bolívia, Colômbia e Paraguai. Segundo o governador, a medida é uma tentativa de barrar o tráfico de armas e drogas:

“A primeira observação é sobre a ausência de legitimidade do chefe de uma das 27 unidades federativas querer se postar diante da ONU para pedir algo que diz respeito à soberania nacional. Um estudante de ensino médio sabe que a medida do governador é midiática e não terá efeito prático algum. Esses shows não colaboram em nada para resolver o cerne do problema. Mero factoide. Os índices de criminalidade no Rio de Janeiro são lamentáveis, mas, tão lamentável quanto os índices de criminalidade, é verificar que a tentativa de diminuí-los tem sido atabalhoada e equivocada. Tolerância zero nunca resolveu o problema de condutas proibidas, sejam elas criminosas, ou até mesmo morais e de costume. Em um primeiro momento pode até diminuir a criminalidade, mas, depois, acabam voltando rápido e de modo potencializado. Só a educação responderá aos desafios para se conter a crescente criminalidade no país, em especial no Rio de Janeiro”.