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Bandeira de Mello, presidente que salvou o Flamengo da falência

Do ex-presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello explicando como tirou, juntamente com a diretoria da época, o clube da crise financeira, uma das maiores do clube de maior torcida do país. Comandou o clube da Gávea por dois mandatos seguidos, cobrindo os triênios de 2013 a 2015 e de 2016 a 2018.  Assumiu a presidência sucedendo a Patrícia Amorim, liderando um processo de forte ajuste financeiro e modernização administrativa do clube e conduziu a transição para um modelo de responsabilidade fiscal que reestruturou as dívidas e permitiu investimentos futuros no departamento de futebol.

Imagine um time de futebol com os seguintes jogadores: Diego no gol, Fierro na lateral-direita, David Braz e Ronaldo Angelim, na zaga, Junior Cesar na lateral-esquerda com Egidio no banco; o meio-campo com Vampeta, Toró, Cleberson e Petkovic e na frente Ronaldinho Gaúcho e Romário. O treinador era Joel Santana. Em 2013, quando assumimos o Flamengo, ninguém estava jogando mas o Flamengo devia dinheiro a todos eles. O clube da Gávea figurava como réu em mais de 500 processos. Existia um mecanismo de concentração de pagamentos administrado pela Justiça do Trabalho, chamado ato trabalhista e, segundo o qual,  o Flamengo era obrigado a reter 15 por cento de sua receita todo mês e a Justiça do Trabalho administrava os pagamentos da extensa fila de credores. Como resolver isso? Não tem milagre. Organizamos a casa,  organizamos o Departamento Juridico e fomos negociar com cada um desses credores. Foram mais de 180 acordos entre 2013 e 2015 baseados em cálculos, sem pressa. O Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, pedia 70 milhões de reais na justiça. Depois de muita negociação, fechamos em 17 milhões. Foi tudo pago. Existia uma ação coletiva de mais de 700 funcionários que se arrastava desde os anos 90 e cobrando mais de 60 milhões de reais na justiça. Conseguimos fechar em 5 milhões de reais graças à competência do Departamento Jurídico do clube. Em 2015, as mais de 500 ações em que o Flamengo era réu restavam 50 ações. Em 2017, já não havia mais nenhuma. Pedimos então a nossa retirada do ato trabalhista porque não fazia mais sentido e ainda recebemos esse dinheiro de volta. Moral da história: quando você respeita o trabalhador e honra os contratos a credibilidade volta e a credibilidade é o bem mais valioso que podemos ter numa organização.