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O crime mais marcante de Brasília

No dia 11 de setembro de 1973, Ana Lídia Braga, 7 anos de idade, desapareceu logo após ser deixada pelos pais no colégio Madre Carmen Salles, na Asa Norte, onde estudava. A polícia foi acionada e, à noite, o delegado responsável pelo caso recebeu um telefonema anônimo pedindo um resgate de 2 milhões de cruzeiros pela menina. Segundo ele, Ana Lídia foi colocada ao telefone e chorava, pedindo pela mãe. Nesse mesmo dia, um funcionário do supermercado SAB (Sistema de Abastecimento de Brasília), na 405/406 Norte, encontrou uma carta endereçada ao pai da garota, exigindo 500 mil cruzeiros por sua devolução. Nenhum outro contato dos supostos sequestradores foi feito depois disso.

No dia seguinte, o corpo de Ana Lídia foi encontrado em uma cova rasa perto do Centro Olímpico da UnB. Ela havia sido torturada, morta e estuprada, nessa ordem. Com base no depoimento de testemunhas,
a polícia chegou a dois principais suspeitos: Álvaro Henrique Braga, 18 anos, irmão da menina, e Raimundo Lacerda Duque, 30 anos, que trabalhava com a mãe de Ana Lídia, funcionária pública. Álvaro foi visto pegando Ana Lídia na escola e teria simulado um sequestro para pagar uma dívida a Raimundo, que era um dos maiores traficantes de drogas da capital. Segundo as investigações, também estavam envolvidos no crime Alfredo Buzaid Júnior (o Buzaidinho), 17 anos, filho do ministro da Justiça Alfredo Buzaid, e Eduardo Henrique Rezende (o Rezendinho), 21 anos, filho do senador Eduardo Rezende.

Após uma investigação falha, em que várias provas se perderam ou não foram utilizadas, ninguém foi preso. O crime prescreveu em 1993 e permanece como um dos mais misteriosos da cidade até hoje.

E o que aconteceu com os acusados?
Buzaidinho morreu em 1975, aos 19 anos, em um acidente de carro. Rezendinho suicidou-se em 1990, aos 38 anos. Duque morreu em 2005, aos 62 anos, por complicações devido ao alcoolismo. Já Álvaro Henrique, o irmão da vítima, é médico angiologista no Rio de Janeiro.

Ana Lídia está enterrada no Cemitério Campo da Esperança e, atualmente, seu túmulo é o mais visitado do lugar. Muita gente acredita que a menina é santa e faz milagres.