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Ferrovia Madeira-Mamoré

Em 1903 o Brasil ficou com o Acre, que até então era território boliviano. E o acordo tinha um preço escrito em cláusula. Pelo Tratado de Petrópolis, o Brasil se comprometia a construir uma ferrovia. Essa ferrovia foi a Madeira-Mamoré.

A obra começou nas mãos dos irmãos americanos Philips e Thomas Collins, que faliram no meio do caminho, e passou para o engenheiro Percival Farquhar, também americano. Foram 5 anos de construção, de 1907 a 1912, e mais de 360 quilômetros abertos na floresta, cortando Amazonas e Mato Grosso.

Quem levantou aqueles trilhos não foi só gente humilde e imigrante vindo de vários países. Entre os trabalhadores levados para lá estavam degredados do Rio de Janeiro: pessoas exiladas depois da Revolta da Vacina e da Revolta da Chibata. Foram mandadas para o meio da Amazônia para trabalhar na obra. Morreram milhares. Malária e disenteria matavam às centenas.

A Madeira-Mamoré deu lucro por 2 anos. Só isso. Depois o preço da borracha despencou e a ferrovia que tinha custado milhares de vidas ficou quase sem o que carregar. Teve alguma serventia de novo durante a Segunda Guerra, foi desativada em 1966 e abandonada de vez em 1972, substituida por uma rodovia.

Um fotógrafo americano chamado Dana Merrill foi contratado para registrar a construção. Ele produziu cerca de 2 mil negativos de vidro entre 1907 e 1912. O álbum está na Biblioteca Nacional, inteiro digitalizado.