Direito Global
Sem a toga

A mamadeira e a Ditadura de 64

Cezar Bitto, que foi presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entre 2007-2009, é um advogado de esquerda que fez a opção por esse rumo desde os bancos escolares. Assim que se formou em Direito, junto com um grupo de colegas – entre les, o ex-governador de Sergipe Marcelo Déda, já falecido -, fundou em Aracaju o escritório Advocacia Operária e a ONG Semear, instituições que só atuam em favor de trabalhadores e nãoa aceitam causas de patrões.

Foi com esse perfil que Britto, com vinte e poucos anos, discursava inflamadamente num tribunal sergipano defendendo um petroleiro e criticando inclementemente a Ditadura militar – já em seu ocaso – em 1984. O advogado do empregador não se conteve frente àquele jovem destemido e inteveio.

-O colega hoje critica aí duramente o regime militar de 1964, mas eu quero indagar a ele o que estava fazendo quando a ditadura estourou, eu que lutei e sofri todo tipo de perseguições desse sistema, desde a primeira hora, e hoje estou sendo aqui injstamente acusado de defender o status quo e a causa dos poderosos. Onde estava em 64 o senhor advogado que me acusa, quero saber?

Cezar Britto não se fez de rogado e nem passou recibo:

-Pois eu lhe digo: eu estava no bercinho, pedindo a mamadeira à minha mãe, e já naqueles dias gritando: “abaixo a Ditadura!”.

Nascido em fevereiro de 1962, o sergipano Cezar Britto tinha exatamente 2 anos e 1 mês de idade quando estourou o golpe miltar de 31 de março de 1964.

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