Direito Global
Sem a toga

A posse

Essa história é de autoria do incorrigível jornalista Emerson Souza:

Certa época, meados dos anos 80, a Radiobrás, atual EBC, era subordinada ao Ministério da Justiça. O país vivia o governo Sarney e o titular da pasta da Justiça era Paulo Brossard, ex-senador e ex-ministro do Supremo tribunal Federal.

Cerimônia marcada no gabinete de Brossard para dar posse ao novo presidente da Radiobrás, Antonio Frota Neto, que também foi porta-voz de Sarney.

Gabinete lotado. Convidados, autoridades e jornalistas dividiam o espaço. Ao meu lado estava o Mafra, “brimo” do Carlos Zarur, o turcão grisalho, como chamávamos Zarur.

Havia a informação de que Frota ia anunciar ali a escolha de Zarur, para diretor-geral da Radiobrás.

Zarur, há muito repórter da empresa de comunicação do governo, tinha excelente reputação e conhecia bem a casa. Mas, não se sabe bem o por quê, circulavam rumores de que Brossard não concordava com a indicação no mesmo ato.

Frota começa sua fala agradecendo a indicação do presidente Sarney, elogia Brossard, fala do desafio da nova missão até que, no final do seu discurso, destaca a sua intenção de contar com a participação de Zarur em sua equipe e deixa no ar o convite.

Nesse exato momento Mafra, ao meu lado, eufórico, me dá uma cutucada com o cotovelo e diz:

– Tá vendo, empossaram o “brimo” –
Logo em seguida Brossard usa da palavra e após breves considerações desautoriza o convite a Zarur.

Do mesmo modo usei do cotovelo e cutuquei Mafra ao meu lado e lasquei:
-Desempossaram o “brimo”.

E Zarur não foi designado para o cargo.
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Anos depois, Carlos Zarur, meu amigo de longas jornadas, assumiu a presidência da Radiobrás onde fez ótima administração.

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