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Água no presídio

Os problemas de abastecimento d’água no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, começam a se normalizar. Foi o que constatou o defensor Marlon Barcellos, coordenador do Núcleo do Sistema Penitenciário (Nuspen) da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ), em inspeção realizada no local. A falta de água é um dos diversos problemas na prisão e motivo de preocupação das autoridades, que temem rebeliões.

Acompanhado por um representante da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), Barcellos inspecionou os registros dos diversos presídios que compõem o complexo e constatou que a água começou a chegar aos pavilhões. O desabastecimento foi causado por problemas ocorridos nos dias 27 de dezembro e 3 de janeiro, respectivamente, nos sistemas hídricos de Barra do Piraí e Guandu.

Barcellos conta que o complexo não chegou a ficar sem água, pois a Cedae forneceu carros pipas neste período, mas com a redução no nível da água nos reservatórios, a direção da unidade prisional intensificou o racionamento.

– A água sempre foi racionada no complexo, mas como o nível baixou, o registro passou a ser liberado menos que as ordinárias três ou quatro vezes por dia, por apenas 10 ou 15 minutos. O racionamento sempre ocorreu no complexo penitenciário. A água nunca é fornecida de forma continua – explicou o defensor.

Com a correção dos problemas nas linhas de transmissão, a água voltou ao complexo de Bangu, porém algumas unidades ainda sofrem com o fornecimento reduzido.

– Constatamos que o fornecimento está regular. Mas Bangu tem algumas unidades que ficam ao fundo do complexo. É o chamado fim de linha. Nas unidades do início, as caixas d’água enchem primeiro. Lá no fundão, onde ficam os presídios Jonas Lopes e Lemos de Brito, Bangu 4 e 6, vai demorar um pouco. O consumo, portanto, está maior que a oferta. Mas hoje [segunda] eu vi um carro pipa indo para aquelas unidades – afirmou.

O problema do abastecimento de água nos presídios é uma preocupação da DPRJ. Em novembro, a instituição promoveu uma audiência pública sobre a questão. Na ocasião, foram coletados depoimentos e esclarecimentos prestados por representantes da Cedae, da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), do Instituto Consciência Negra Nelson Mandela, da Associação dos Amigos e Familiares de Presos, entre outras entidades que participaram do evento.

Na audiência, além do racionamento, também foram denunciados problemas relativos à proibição de familiares entrarem nas unidades com água potável, quando das visitas, sendo obrigados a comprar água nas cantinas por preço superior ao cobrado do lado de fora. Também foram relatados problemas na estrutura das unidades, como vazamentos frequentes, que levam ao desperdício. Essas informações vão instruir uma ação da Defensoria a fim de regularizar o abastecimento d’água.

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