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Barroso e a UERJ

O comentário é do ministro Luis Roberto Barroso, do STF, que estudou na Faculdade de Direito da UERJ de 1976 a 1980. Desde 1982 é professor da Faculdade, sendo que desde 1995 é professor titular. Todas às sextas-feiras ele dá aula na UERJ nos cursos de graduação e pós.

“A crise da UERJ revela não apenas a falência do Estado do Rio, mas também de um modelo de financiamento da universidade no Brasi.

Portanto, há duas coisas a fazer. A primeira é ter um plano emergencial para salvar uma das principais universidades do país, pioneira na implantação de um sistema de cotas que vai mudar a vida da próxima geração. Na área do Direito, por exemplo, a produção acadêmica da UERJ é a mais relevante do país. Também na Medicina ela tem sido referência de qualidade. E em muitas outras áreas.

Em segundo lugar, precisamos reunir as melhores cabeças do país e, talvez, uma consultoria internacional, para repensarmos o sistema público de ensino superior em geral.

Precisamos conceber uma universidade que seja pública nos seus propósitos, mas autossuficiente no seu financiamento. Que saiba gerar seus próprios recursos, que saiba atrair filantropia, que tenha contribuições de ex-alunos. Que tenha uma dotação inicial relevante (endowment), com gestão financeira e pedagógica profissional e despolitizada. O orçamento público tem de ser, prioritariamente, para ensino fundamental e médio. A Universidade brasileira vai ter de aprender a viver com recursos próprios, só contando com dinheiro público para alguns projetos específicos.

Nessa linha, devemos ver os diferentes formatos praticados no mundo, estudando as universidades de sucesso nos diferentes países. E adotar um, que sirva para o Brasil. Na medida em que a universidade se torne autossuficiente, ela deverá recrutar professores em todo o mundo, com aulas em português, inglês e espanhol. Não há país verdadeiramente desenvolvido sem instituições de ensino superior de ponta. Estamos atrasados e com pressa.”

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