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Agressão machuca o corpo e macula a honra

O artigo “Agressão machuca o corpo e macula a honra” é de autoria do ex-presidente da OAB de Sergipe, Henri Clay Andrade:

O cidadão lagartense, advogado Walla Viana Fontes, foi detido no último domingo em Lagarto por policiais militares durante o desfile de bloco carnavalesco. No dia seguinte ele revelou publicamente ter sofrido agressões físicas e morais durante o trajeto entre o local da detenção até a delegacia.

As marcas da violência no corpo do colega advogado foram examinadas e estão evidentes. Há registro de sangramento no ouvido direito, escoriações e hematomas. (Fotos).

A OAB/SE acompanhou o advogado até o IML para fazer o chamado exame ‘corpo de delito’; oficializou o fato ao Secretário de Segurança, à corregedoria da Polícia Militar e ao Ministério Público para tomarem as providências cabíveis e necessárias diante da grave denúncia.

A OAB/SE emitiu nota pública solidarizando-se com o advogado, informando as medidas efetuadas e cobrando dos órgãos e autoridades responsáveis as providências legais. Perfeito.

Destoante e incompreensível foi a nota sacada pela Associação da Polícia Militar de Sergipe, repudiando as iniciativas da OAB. Aquela entidade diz que a OAB não devia se pronunciar antes da sentença condenatória transitada em julgado. Ora, a entidade dos policiais quer que a OAB fique calada por anos a fio esperando uma decisão definitiva do Poder Judiciário. A associação dos policiais militares pretende calar a voz da OAB em defesa da dignidade humana e dos advogados? É isso mesmo?!

A sociedade paga os salários dos policiais militares e mantém a sua estrutura funcional para cumprir fielmente as suas atribuições constitucionais que são a de prestar serviços de segurança pública para todos, com observância e respeito aos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos.

A denúncia do cidadão-advogado é grave e as marcas das agressões estão evidentes no seu corpo machucado e maculadas na sua alma.

O que os órgãos de controle da atividade policial precisam fazer é dar uma resposta rápida, eficiente e condizente com os preceitos constitucionais: colher todas as provas e efetivar as medidas administrativas e judiciais adequadas.

Todos estaremos atentos, resistentes, vigilantes e de mãos dadas contra eventuais abuso de poder e impunidade.

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