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O desastre de Mariana

Ha cinco anos, no dia 5 de novembro de 2015, ocorria o rompimento de barragem em Bento Rodrigues, subdistrito do município brasileiro de Mariana, em Minas Gerais, deixando 18 mortos e se tornando o maior desastre ambiental da história do país após a lama alcançar o curso do rio Doce e posteriormente, nas semanas seguintes, o oceano Atlântico.

A história dramática vivida pelos moradores de Mariana, em Minas Gerais, foi observada de perto pela jornalista Cristina Serra, e ganhou as páginas do livro “Tragédia em Mariana – A história do maior desastre ambiental do Brasil” (462 páginas, R$ 59,90, Editora Record), que a jornalista lançou em novembro de 2018, na Livraria da Travessa do Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Na época do rompimento da barragem da Samarco em Mariana, em 2015, Cristina Serra era repórter do Fantástico, da TV Globo, e fez diversas reportagens para o programa. O volume de informações e os recorrentes relatos de descaso impulsionaram Cristina a escrever o livro, para que as pessoas pudessem entender não apenas o episódio, mas também como funciona o licenciamento ambiental no Brasil, que a autora trata como “irresponsável”. Hoje, ela alerta para possibilidade de novas catástrofes.

Cristina afirma que teve a ideia do livro quando passou em natal de 2015 com vítimas da tragédia. “Estar tão próxima, vendo o drama daquelas pessoas, arrancadas de forma abrupta do seu local de nascença, e tentando, com todas as forças, superar aquela dor e aquelas perdas, aquilo me deu o estalo. Era uma história tão incrível e precisava ser contada. Ao mesmo tempo, a investigação já havia começado e os primeiros elementos mostravam que havia, no mínimo, negligência na operação da barragem. Então, eu juntei essas dus coisas e pensei: ‘Isso merece um livro”, lembra.

A falta de perspectiva para um desfecho da tragédia ainda intriga a jornalista. “O processo criminal se arrasta. Inicialmente, eram 22 réus, hoje são 21. São 400 testemunhas, foram 19 mortes, e ainda não existe uma expectativa para que isso seja resolvido, uma tragédia que envolve drama humano, impactos ambientais, erros dos diretores da empresa, falta de fiscalização e cenário político”, explica.

De tudo que pôde ouvir e apurar dos moradores e trabalhadores da região, Cristina destaca algumas histórias em seu livro. O drama de Romeu Arlindo é uma delas. “Romeu era um empregado da mineradora Samarco, estava no alto da barragem quando ela se rompeu. Ele foi arrastado pela lama, até que alcançou um terreno e conseguiu se salvar. É uma história milagrosa”, destaca a jornalista.

A auxiliar de serviços gerais Paula Geralda Alves também ganha um capítulo especial. Segundo Cristina, foi ela que funcionou como “alarme”, salvando tantas vidas no povoado da região. “Antes, não era lei essas empresas terem sirenes para uma situação de emergência. O gesto da Paula foi muito importante nessa questão. Foi ela quem viu a lama descendo e saiu correndo com sua moto para avisar as pessoas do povoado, que puderam se deslocar a tempo. Paula foi incansável, funcionou como um alarme até a gasolina de sua moto acabar”.

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