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Eleição dos candidatos ficha suja

Por Hylda Cavalcanti

Faltam poucos dias para as eleições municipais de 2020, que já ficarão na história como aquelas nas quais mais se inscreveram candidatos ficha suja. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 2.398 nomes tiveram candidaturas impugnadas pela corte, em função da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº. 135 de 2010, que proíbe que condenados em ações no Judiciário possam disputar cargos públicos).

É um número bem maior do que o registrado nas eleições anteriores. Mas o número de candidatos envolvidos com a Justiça a partir de inquéritos e investigações em curso pode levar essa estatística a ser ampliada.
Um dos exemplos pode ser observado no município de Vertentes, no Agreste de Pernambuco, Romero Leal. No início de setembro, o Ministério Público Federal instaurou inquérito civil para investigar denúncias de corrupção contra ele e seu vice, o médico Helder Corrêa (PSDB) – também secretário de Saúde do município.

Os dois são acusados de terem recebido em propina, nos últimos três anos, um valor aproximado a R$ 500 mil, decorrente de mesada que cobraram da médica Niedja Santana para poderem efetuar repasse de verbas do SUS para o Hospital Jaime Santana, localizado no município.

A médica apresentou ao MPF vários áudios e vídeos comprovando suas acusações. Nos áudios, conversas que teve de 2017 até janeiro deste ano com o prefeito onde ele fala no valor recebido. Nos vídeos, o vice-prefeito recebendo o dinheiro em espécie numa das salas do hospital. O caso tem repercutido amplamente no interior de Pernambuco.

Citado em vários jornais, o prefeito enviou carta fazendo acusações à médica de gestão indevida na unidade hospitalar, mas nunca se justificou sobre os áudios e vídeos. Ele é candidato à reeleição. O município de Vertentes tem pouco mais de 20 mil habitantes e grande carência na área de Saúde.

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