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Advogadas e advogados

“A média salarial recebida pelas mulheres, de um modo geral, tanto no Brasil quanto em Portugal, é inferior à paga aos homens, embora muitas delas sejam chefes de suas famílias”, criticou a presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez. A advogada participou de uma aula online da Universidade Europeia, com sede em Lisboa, sobre Advocacia e os desafios da mulher na profissão. A presidente disse também que, embora as mulheres sejam maioria na advocacia brasileira, elas ainda são minoria à frente dos escritórios. “O machismo estrutural ainda é muito forte no País”, afirmou.

Rita Cortez falou sobre a presença da advocacia brasileira em Portugal, onde, segundo dados de pesquisa feita em 2019, havia no país aproximadamente 32 mil profissionais do Direito, sendo 18 mil advogadas e 14 mil advogados. “Desse total, 10% eram advogadas e advogados brasileiros”, informou.

A presidente do IAB também disse aos alunos da Universidade Europeia que “as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no exercício da advocacia no Brasil são históricas”. Ela mencionou que Myrthes Campos, a primeira advogada brasileira, concluiu o curso de Direito em 1898, mas somente em 1906 recebeu sua carteira do então Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros (IOAB).

A advogada trabalhista também ressaltou que o IAB – fundado em 1843, e que adotou a nova sigla após criar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 1930 – teve até hoje duas mulheres na presidência. “Eu sou a segunda mulher na presidência do IAB e a primeira reeleita”, afirmou. Rita Cortez destacou que, apesar de serem maioria na população brasileira, as mulheres ocupam apenas 10% dos cargos de chefia nas empresas, o que, segundo ela, também se reflete nos escritórios de advocacia.

A importância da advocacia para a democracia brasileira foi outro tema tratado por Rita Cortez. “Os advogados são indispensáveis à cidadania, porque são porta-vozes dos grandes interesses da sociedade brasileira”, afirmou. Ela também comentou sobre o papel do IAB frente às questões de relevância nacional: “O Instituto tem sido o grande responsável pelo aprimoramento da ordem jurídica e pela defesa da Constituição e do estado democrático de direito”.

A presidente nacional do IAB valorizou a aplicação da disciplina Exploração Vocacional, sob os cuidados de Raimundo Neto na Universidade Europeia: “Nos tempos atuais, marcados pelo surgimento de novos segmentos, como, por exemplo, Compliance e Direito da Moda, essa é uma disciplina muito importante para mostrar aos estudantes de Direito e jovens advogados os espaços que se abrem no mercado da advocacia”.

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