Direito Global
blog

As linhas telegráficas no Brasil

A primeira linha telegráfica do Brasil, inaugurada em 1857, era subterrânea, possuía 4,3 mil metros de extensão e foi construída por determinação de D. Pedro II – o imperador –, ligava o Palácio Imperial, em Petrópolis ao Quartel General do Exército no Campo de Sant’Annna, na antiga praia da Saúde, no Rio de Janeiro então capital do império. Essa primeira linha tinha uma extensão de 50 quilômetros, sendo 15 quilômetros em cabo submarino no leito da baía da Guanabara.

A primeira ligação internacional por cabo submarino deveu-se à iniciativa de Irineu Evangelista de Souza, um gaúcho de Arroio Grande, conhecido pelo título de Barão e depois Visconde de Mauá, que pelo Decreto nº 5.058 de 16 de agosto de 1872, obteve o privilégio, por 20 anos, para lançar cabos submarinos e explorar a telegrafia elétrica entre o Brasil e a Europa. Em 22 de junho de 1874, era completada a ligação com a Europa, entre as estações de Recife e de Carcavelos (em Portugal), via Cabo Verde e ilha da Madeira.

Telégrafo é um aparelho que era utilizado para a comunicação em partes do século XIX e do século XX. Esse equipamento utilizava a energia elétrica para enviar pulsos na corrente que eram interpretados por meio de um código que usava pontos e linhas (para pulsos curtos e longos, respectivamente). O inventor desse meio de comunicação e do código que era usado no envio das mensagens foi um pintor e professor norte-americano chamado Samuel Morse. Ele se aproveitou do conhecimento disponível sobre eletricidade e de tentativas falhas de criar um telégrafo e acabou sendo o primeiro a inventar um modelo de telégrafo elétrico viável.

Se nos dias de hoje a internet se constitui num dos principais meios de comunicação, sendo considerada uma das principais ferramentas da globalização, no século XIX a realidade era outra, a informação chegava através de cartas. Ao menos até a invenção dos telégrafos, um dos inventos mais significativos daquele século, sendo responsável por mudar a comunicação e também desenvolver uma forma própria de descrever os acontecimentos através de vocabulário, linguagem e ritmo por inúmeras pessoas em todo o mundo.

O telégrafo foi um sistema de comunicação desenvolvido antes do telefone, com o objetivo de transmitir mensagens de forma confiável e segura de um ponto a outro através de grandes distâncias. Foi muito utilizado pelos governos e corporações militares para transmitir mensagens por meio de uso de códigos e nenhuma outra mensagem poderia ser transmitida pelo mesmo fio antes que a primeira tivesse chegado ao seu destino final. O código Morse, criado por Samuel Morse, era amplamente utilizado nos telégrafos.

“A comunicação dos pensamentos, das ordens, das notícias já não encontra demora na distância”. A afirmação do Ministro da Justiça Eusébio de Queiroz Coutinho Mattoso Câmara ao imperador, anunciava o sucesso da primeira etapa do seu feito que tinha como propósito atender aos interesses do Estado, entre eles expedir de forma mais rápida as ordens para a repressão ao tráfico de escravos. Para o desenvolvimento desse projeto o ministro contou com o apoio, conhecimento e experiência do professor de física da Escola Central, Dr. Guilherme Schuch de Capanema. O império, em vinte anos, estendeu quilômetros de linhas telegráficas ligando 182 estações.

A nova técnica fazia parte do projeto político e econômico D. Pedro II responsável pelo desenvolvimento e modernização do país, que teve o seu auge nos anos de 1850, com a implantação de estradas de ferro, iluminação a gás e o telégrafo elétrico adaptado e aprimorado por pesquisadores devido à importância do serviço. O Barão de Mauá teve uma relevante atuação nos setores de energia, transportes e comunicações, sendo sua, inclusive, a iniciativa de introduzir o telégrafo submarino entre o Brasil e Europa.

clica