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A história do Jogo do Bicho

O texto, de autoria de Luiz Antonio Simas, está na exposição Crônicas Cariocas, no Museu de Artes do Rio (MAR), na praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro, até o próximo dia 31 de julho:

Jogo do Bicho

Nos tempos da monarquia, o Barão de Drummond, eminência política do imperío e amigo da família real, fundou e era proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro – que então funcionava em Vila Isabel. A manutenção da bicharada era feita com uma generosa subvenção mensal do governo, suficiente, diziam as línguas ferinas dos inimigos do barão, para alimentar toda a fauna amazônica por pelo menos dez anos. Quando a República foi proclamada o velho barão perdeu o prestígio que tinha. Perdeu, também, a mamata que lhe permitia, segundo o peculiar humor carioca, alimentar o elefante com caviar, dar champanhe francesa ao macaco e contratar manicure para o pavão. Sem o auxílio do governo, o nosso barão cogitou , em protesto, soltar os bichos na Rua do Ouvidor- que, admitamos, seria espetacular – e fechar em definitivo o zoológico do Rio. Foi aí que um mexicano, Manuel Ismael Zevada, que morava no Rio e era fã do zoológico, sugeriu a criação de uma loteria que permitisse a manutenção do estabelecimento. O barão ficou entusiasmado com a ideia. O frequentador que comprasse o ingresso de mil réis ganharia 20 mil réis se o animal desenhada no bilhete de entre fosse o mesmo que seria exibido em um quadro horas depois. O barão mandou pintar 25 animais. A cada dia, um quadro subia com a imagem de um bicho. Se bobear, essa foi a ideia mais bem-sucedida da história do Brasil. Multidões iam ao zoo com a finalidade de comprar os ingressos e aguardar o sorteio do fim de tarde. Em pouco tempo, o jogo do bicho tornou-se um hábito da cidade.

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