Por Miguel Cancado
Em agosto de 1827, Dom Pedro I autorizou a criação dos primeiros cursos jurídicos do Brasil. Quase dois séculos depois, o mês da advocacia é mais do que uma data comemorativa: é um momento de profunda reflexão sobre o nosso papel na democracia, na cidadania e no fortalecimento das instituições.
Com mais de 40 anos dedicados ao Direito, aprendi que exercer a advocacia vai muito além de interpretar leis. E proteger direitos, mediar conflitos e lembrar que, por trás de cada processo, há pessoas, famílias, empresas e instituições buscando justiça.
Essa convicção se fortaleceu na minha trajetória, seja como presidente da OAB-GO por dois mandatos, conselheiro federal ou presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. Em todas essas frentes, vi uma verdade se impor: nenhuma democracia se sustenta sem uma advocacia livre, independente e respeitada.
Nossa profissão é indispensável à administração da Justiça porque garante que o cidadão tenha voz diante do Estado, que o contraditório prevaleça e que o devido processo legal seja guardado contra qualquer arbítrio.
Defender as prerrogativas do advogado é defender o próprio Estado Democrático de Direito.
Em tempos de transformação acelerada, inteligência artificial, polarização e judicialização, a tecnologia deve ser nossa aliada, mas jamais substituirá nossos valores fundamentais: independência, ética, prudência, sensibilidade e consciência crítica.
Neste mês, renovamos nosso compromisso com a Constituição, com as liberdades e com a construção de um país mais justo e institucionalmente equilibrado.
Quando a advocacia é respeitada, toda a sociedade ganha.

