A Justiça do Trabalho de Santa Catarina determinou a retirada do nome de Ana Cristina Gayotto de Borba, patroa da trabalhadora doméstica Sônia Maria de Jesus, da chamada “lista suja” do trabalho escravo. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-12), que anulou o processo administrativo que confirmava a infração relacionada à imposição de trabalho análogo à escravidão contra Sônia.
Sônia Maria, uma mulher negra e surda, passou mais de 40 anos submetida ao trabalho doméstico sem salário, sem carteira assinada, sem direitos trabalhistas e sem acesso à educação. Durante esse período, ela ficou isolada da família, sem documentos de identificação e sem acesso à Língua Brasileira de Sinais (Libras). A operação de resgate que trouxe o caso à tona aconteceu em junho de 2023.
A vítima voltou, em setembro do mesmo ano, ao convívio da família, que a manteve em situação de exploração por cerca de três meses após o seu resgate. Em decisão, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que Sônia “viveu como se fosse membro da família”.

