Direito Global
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Saudade do que realmente importa

Por Paulo de Tarso Lyra

O Brasil vive crises políticas cíclicas. Vivi por dentro a crise do Mensalão, relatada primeiramente por mim e pelos meus colegas Sérgio Pardellas e Hugo Marques no Jornal do Brasil, em 24 de setembro de 2004. Como o JB quebrou o off do Miro Teixeira e a nossa estória não avançou, acabamos sendo redimidos pela entrevista da Renata Lo Prete com o Roberto Jefferson na Folha, em junho de 2005.

O estrago foi grande e levou à queda do então todo poderoso chefe da Casa Civil, José Dirceu. O Congresso Nacional transformou-se em um imenso vespeiro e o governo e o PT mergulharam em um clima de barata voa.

CPI’s se instalaram no Congresso – a dos Correios, a dos Bingos, batizada de CPI do Fim do Mundo – para tentar desestabilizar a gestão de Lula. O Legislativo vivia dias de algazarra e tudo era motivo para confusão, bate boca.

O governo escalou alguns ministros estratégicos para serem testemunhas de defesa de Dirceu no Conselho de Ética da Câmara. Aldo Rebelo, então ministro da articulação política e Eduardo Campos, na época ministro de Ciência e Tecnologia, foram designados para essa missão.

Campos estava prestando seu depoimento no colegiado presidido por Ricardo Izar (PTB-SP) e relatado por Júlio

Delgado (PSB-MG) sobre as atividades de Dirceu no governo. Quando de repente a sessão transformou-se em um tumulto com a chegada dos então deputados Eduardo Paes (PSDB-RJ), Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) e ACM Neto

(DEM-BA), trazendo um novo pedido de cassação contra Dirceu. Governistas e oposicionistas quase foram às vias de fato na mão. Porque, nas palavras, elas já haviam ultrapassado o limite do bom senso ensinado por nossos pais.

Eduardo Campos, licenciado do mandato de deputado para ser ministro, sentado à mesa do Conselho de Ética, assistia a tudo com vontade de rir diante da creche que se instalara à frente à frente dele. Cheguei ao lado da mesa e indaguei.

Líder, está com saudades disso aqui ?

Paulo, saudades eu tenho de Carneiros