Durante anos, a Suécia esteve entre os países que mais apostaram na digitalização das salas de aula. Tablets, computadores e materiais digitais passaram a fazer parte da rotina escolar desde cedo. Mas, depois de observar uma queda no desempenho de leitura das crianças, o país começou a reconsiderar até onde essa transformação deveria ir.
O sinal de alerta ganhou força com os resultados de 2021 do PIRLS, avaliação internacional que mede a capacidade de leitura de alunos do ensino fundamental. As pontuações suecas caíram, e a ministra da Educação, Lotta Edholm, passou a defender que as escolas haviam sido digitalizadas rápido demais e em idades muito precoces.
A mudança de direção começou a aparecer de forma concreta. Em 2023, uma revisão curricular voltou a dar mais espaço aos livros impressos e à escrita à mão nos primeiros anos escolares. Ao mesmo tempo, o governo destinou recursos para a compra de novos livros didáticos e para reforçar a presença do material físico nas salas de aula.
No ano seguinte, a decisão foi ainda mais longe. Em 2024, a legislação sueca foi alterada para reforçar o direito dos estudantes ao acesso a livros didáticos impressos. O governo também desistiu dos planos de transferir para telas as provas nacionais destinadas às crianças mais novas.
A preocupação não veio apenas de políticos. O Instituto Karolinska, uma das instituições científicas mais respeitadas da Suécia, já havia alertado que uma dependência excessiva de ferramentas digitais poderia prejudicar a aprendizagem.

