O Brasil deu o caju ao mundo. O Vietnã transformou a castanha em uma indústria bilionária. O cajueiro tem seu centro de origem no Brasil. Mas quem olha hoje para o mercado mundial da castanha encontra uma geografia completamente diferente. Em 2024, o Vietnã respondeu por 63,8% de todo o volume mundial exportado de amêndoa de castanha de caju. O Brasil ficou com apenas 1%.
E existe um detalhe que torna essa história ainda mais surpreendente. O Vietnã não construiu essa liderança apenas produzindo castanha. Construiu processando a matéria-prima produzida por outros países. Em 2025, o país importou aproximadamente 2,94 milhões de toneladas de castanha bruta, movimentando cerca de US$ 4,5 bilhões em compras para abastecer sua indústria.
Camboja respondeu por 32,9% desse volume. Costa do Marfim por 25,3%. Nigéria e Gana também aparecem entre os grandes fornecedores. A matéria-prima chega de diferentes partes do mundo.O Vietnã processa, padroniza e vende a amêndoa. O resultado ajuda a dimensionar o tamanho dessa estratégia. Em 2025, as exportações vietnamitas de castanha ultrapassaram US$ 5,2 bilhões pela primeira vez, com cerca de 766 mil toneladas embarcadas.

