O Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos do estado, vai leiloar o terreno da Ilha dos Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde funciona o Clube Caiçaras. A autarquia marcou para o dia 15 de setembro a venda do imóvel e o lance inicial é de aproximadamente R$23,3 milhões. O leilão será presencial, na sede do Rioprevidência, no Centro do Rio de Janeiro.
A venda faz parte de uma estratégia mais ampla para transformar parte da carteira imobiliária do Rioprevidência em recursos para o fundo previdenciário. O plano foi aprovado no início deste ano e prevê a alienação de ativos considerados aptos à comercialização, após perdas com aportes financeiros ligados ao Banco Master. A autarquia foi a que investiu maior volume de recursos, com cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Master e outros R$ 2 bilhões em fundos administrados pela instituição
O leilão do terreno da Ilha dos Caiçaras ocorre poucos meses depois do encerramento do contrato existente entre o Rioprevidência e o clube, que venceu em maio deste ano. O futuro da área já estava em discussão desde o fim do vínculo, quando a diretoria do Caiçaras afirmou, em nota, que “não havia interesse do RioPrevidência em gerar atrito com um bom inquilino como o Caiçaras”.
A alienação do terreno coloca em discussão também o futuro da área atualmente ocupada pela entidade. O advogado especializado em direito imobiliário, Gabriel de Britto, explicou que o resultado vai depender condições estabelecidas no edital, mas que há chances de o Clube Caiçaras ser o principal interessado.
O Clube dos Caiçaras esclarece que o leilão noticiado não envolve a totalidade da Ilha dos Caiçaras, mas apenas a fração pertencente ao RioPrevidência. O Clube é proprietário da maior parte da área e ocupa regularmente a fração objeto do procedimento há anos, por meio de instrumentos públicos de autorização de uso, com pagamento mensal ao RioPrevidência.
A área possui características específicas e está sujeita a limitações e condicionantes urbanísticas, ambientais, de uso e de acesso, compatíveis com a natureza da Ilha e com as atividades sociais, esportivas e recreativas aqui desenvolvidas.
O tema vem sendo acompanhado pelo Clube há bastante tempo. A Administração está preparada para participar do processo nos termos do edital e, se necessário, utilizará o direito de preferência assegurado ao ocupante regular, sempre orientada pela preservação dos interesses do Clube dos Caiçaras, de seus associados e de seu patrimônio.
História
Um dos mais tradicionais e bonitos clubes do Rio de Janeiro, o Caiçaras está localizado em uma ilha natural de 33 mil m2 na Lagoa Rodrigo de Freitas, tendo o Morro Dois Irmãos, a Pedra da Gávea, a Lagoa e o Cristo Redentor como integrantes de sua paisagem. A história do clube começa no ano de 1929, quando na casa de Dona Maria da Glória de Souza Paiva, localizada na Rua Visconde de Pirajá, 578, três famílias (os Souza Paiva, os Castro Lima e os Vieira) se reuniram para organizar jogos de ping-pong e futebol na areia da Praia de Ipanema, num clube denominado Pranto Club, difundindo o interesse pelos esportes e pela convivência social.
Em novembro de 1931, quando o Pranto Club já estava praticamente extinto, o Comandante Castro Lima propôs aos antigos sócios a fundação de um clube maior para ampliar a prática de esportes no bairro e criar uma seção social. Dez dias depois, foi deliberada a fundação de um clube social e esportivo em Ipanema, aproveitando-se os remanescentes do antigo clube, que passou a se chamar Clube dos Caiçaras, por proposta do associado Jarbas dos Aymores Carvalho. “Caiçaras” é um termo de origem tupi pelo qual são conhecidos os pescadores e populações do litoral Sudeste e Sul do Brasil.
Em junho de 1935, aconteceu a grande festa de inauguração da Sede, no coração da Ilha. O novo Clube teve como objetivo, desde o início, fomentar a integração social e esportiva e o convívio das famílias. Nas primeiras décadas, a Vela foi o esporte mais praticado e o Caiçaras foi sede de vários torneios nacionais e internacionais. Na área Social, foi (e continua sendo) palco para shows de grandes artistas, como Chico Buarque, Dorival Caymmi, Elba Ramalho, Ivan Lins e o Rei Roberto Carlos, cenário para tardes de autógrafos de autores como Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira e Jorge Amado, campo de futebol para Zico, Paulo César Caju, Carlos Alberto e outros, passarela para um grande desfile de modelos internacionais.
Com as melhorias feitas em seus 91 anos de existência, o clube dispõe hoje de ginásio poliesportivo, campos de futebol, quadras externas poliesportivas, quadras de areia, quadras de saibro, garagem náutica com atividades de vela e equipamentos recreativos livres (pedalinho, caiaque, stand-up), sala de ginástica e balé, sala de lutas, salas de pilates, sala de musculação e sala de spinning, além de bocha, salão de sinuca, salas de carteado e sala de pôquer. A área mais frequentada é, claro, o Parque Aquático, com três piscinas. Dispõe ainda de salões de festas, espaços gastronômicos – o restaurante Caíque, o Bar Aloha e os novos Bar da Náutica e Terraço Panorâmico, SPAs masculino e feminino, salão de beleza, cineclube e parque infantil.

