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O fuzilamento de Cabo Bruno

Cabo Bruno em foto da década de 80. (arquivo)

Após passar 27 anos preso e um mês após receber indulto pleno dado pela juíza Marise de Almeida, da 2ª Vara de Execuções Criminais de Taubaté (SP), o ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, conhecido como Cabo Bruno, foi assassinado na noite desta quarta-feira, no Residencial Campo Belo, em Pindamonhangaba (145 km de São Paulo), onde fixou residência após deixar a penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, no município vizinho de Tremembé. Condenado a 118 anos de cadeia, ele foi solto por “boa conduta carcerária”.

De acordo com a Polícia Civil, Oliveira voltava de um culto religioso com a família, por volta das 23h50, quando, jápróximo da residência onde vivia, foi abordado por dois homens. Cabo Bruno desceu do carro e sofreu cerca de vinte disparos, a maioria no rosto e no abdômen, morrendo no local. Os familiares de Bruno, ficaram ileso, ligaram para o 190 para informar que ao menos dois homens armados dispararam vários tiros contra o ex-policial na rua Atílio Amadei e fugiram. Quando os policiais chegaram ao local encontraram um Astra com várias marcas de tiros e um homem caído ao lado da porta do carro.

Acusado de chefiar um esquadrão da morte na polícia, Cabo Bruno foi condenado a 113 anos de prisão por matar mais de 50 pessoas, na zona sul de São Paulo, na década de 1980. Cabo Bruno (nascido em 1958 ou 1959), é um ex-policial militar criminoso acusado de mais de cinquenta mortes na periferia de São Paulo durante os anos 1980. Considerado “um dos personagens mais polêmicos da crônica policial, ele chegou a admitir essas mortes, mas depois negou-as em depoimento.

Cabo Bruno era o que se conhece como “justiceiro”, pessoa que é contratada para matar outras, geralmente nas periferias. Dizia-se que ele matava “por odiar marginais”, embora depoimentos sugerissem que algumas execuções teriam sido motivadas pela aparência das vítimas. Ele agia, quase sempre em suas folgas, no bairro de Pedreira (região do Jabaquara, zona sul de São Paulo).

Comerciantes costumavam ser seus maiores “clientes e a maioria dos fuzilamentos de que foi acusado deu-se em 1982, e os muitos corpos crivados de balas encontrados na região durante aquele ano causaram pânico. Os carros que ele usava — um Chevette, um Maverick e um Opala —, cujas cores sempre era mudadas, ajudaram a criar sua fama.

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