Direito Global
blog

O crime da praia dos Ossos

Há exatos 40 anos – no dia 30 de dezembro de 1976 – um crime passional em um casa na praia dos Ossos, em Búzios, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, abalou a sociedade brasileira. no penúltimo dia de 1976. No início da noite daquele dia, Doca Street, então com 40 anos, matou com quatro tiros de pistola Ângela Diniz, com quem vivia havia apenas três meses. Ela, contaram os amigos, pretendia se separar de Doca, por não suportar o ciúme doentio do companheiro.

Ângela tinha 32 anos e uma vida de princesa. Adolescente típica de classe média mineira, já tinha a alcunha de “pantera de Minas” quando se casou com o engenheiro Milton Villa- Boas Filho, união da qual saiu, dez anos depois, sem traumas e com muito dinheiro. Doca era neto do empresário paulista Jorge Street, que fizera fortuna nos anos 30. Aventureiro sem trabalho fixo – havia muito deixara de ter dinheiro – já se havia empregado como acompanhante de mulheres ricas em Miami, vendedor de carros e corretor imobiliário. Era sustentado pela ex-mulher Adelita Scarpa, filha de um milionário paulista.

O advogado de Doca Street foi o ex-ministro do STF e membro da Academia Brasileira de Letras, o saudoso Evando Lins e Silva. O primeiro julgamento, em 1979, terminou com o tribunal do júri absolvendo o réu e condenando a vítima. Ângela Diniz foi descrita pelo advogado de defesa de Doca, o criminalista Evandro Lins e Silva, como uma “Vênus lasciva”, “dada a amores anormais” – referência a um caso homossexual que teria tido. Lins e Silva conseguiu convencer os jurados de que seu cliente agira “em legítima defesa da honra”.

A sentença: dois anos de prisão, que não cumpriu, pois foi beneficiado por sursis. O julgamento, em Cabo Frio (cidade da qual Búzios era distrito), assemelhou-se a um programa de auditório, com claque ruidosa e cobertura inédita da imprensa. Dois anos depois, Doca foi a novo julgamento, por causa da reação da sociedade. O movimento feminista no Brasil estava em seu auge, brigando contra a impunidade de homens que, como Doca, haviam matado mulheres, e cunhou um slogan famoso: “Quem ama não mata”. Quando Doca foi julgado pela segunda vez, a opinião pública estava mobilizada para condená-lo – e vibrou quando ele pegou uma pena de 15 anos.

Raul Seixas do Amaral Street Fighter, popularmente conhecido como Doca Street , hoje com 80 anos, atualmente, livre da prisão, ele vive de indenizações obtidas com processos por danos morais.

clica