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Advocacia perde Sérgio Fisher

Morreu hoje (9) o advogado Sergio Eduardo Fisher, sócio do Fisher Bandeira Santana Advogados Associados. Fisher, torcedor fanático do Fluminense, foi vice-presidente da OAB do Rio de Janeiro e secretário-geral do Conselho Federal da OAB. O velório será amanhã (10), às 9h, no Cemitério da Penitência (Rua Monsenhor Manuel Gomes, 307 – Caju – Rio de Janeiro). A cremação será às 13h30 no mesmo local. A Caixa de Assistência da Advocacia do Rio de Janeiro (Caarj) decretou luto oficial de três dias.

Fisher também era membro do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), que publicou nota de pesar. O Sindicato dos Advogados do Rio de Janeiro — entidade na qual Fisher também foi vice-presidente — também manifestou em nota seu pesar.

Sergio Batalha Mendes – Hoje faleceu o advogado Sérgio Eduardo Fisher. Tenho orgulho de dizer que fui seu estagiário, depois seu amigo e companheiro de lutas na política da advocacia. Fomos diretores do Sindicato dos Advogados, integramos várias chapas de oposição na OAB-RJ e, finalmente, conseguimos eleger nosso companheiro Wadih Damous como Presidente. Fisher foi Conselheiro em diversas gestões da OAB-RJ, diretor e Vice-presidente do Sindicato dos Advogados, Tesoureiro e Vice-presidente da OAB-RJ e Conselheiro do Conselho Federal da OAB. Foi também um dos melhores advogados da sua geração e fundou um grande escritório, tendo como sócio o próprio Presidente atual da OAB-RJ, Luciano Bandeira, que, como eu, foi seu estagiário. Fisher foi uma referência para mais de uma geração de advogados, em termos profissionais, éticos e políticos. Mais importante do que isto, era um advogado que não se guiava pela busca de fama ou dinheiro na sua atuação pública. Apoiou Wadih na eleição da OAB-RJ quando ele ainda era um advogado jovem, contrariando a opinião de muitos colegas consagrados. Perdeu várias eleições sempre do nosso lado e, quando ganhou conosco, não alimentou ambições pessoais, buscando sempre o melhor para a advocacia. Foi uma peça fundamental na mudança operada na OAB-RJ nas duas gestões de Wadih Damous. Mas os amigos sentirão mais falta da companhia simples e divertida de Sérgio Fisher, a quem eu chamava de forma carinhosa e brincalhona de “padrinho”, tomando sua benção a cada encontro. Um abraço, amigo!

Ronaldo Cramer -Era 2006, eleições da OAB/RJ. Estava na apuração. Nossa chapa, encabeçada por Wadih Damous, concorria contra a chapa Azul. Fora um campanha bem aguerrida. Chegavam os últimos votos, e pude ter certeza da vitória histórica. Fisher, que tinha sido arbitrariamente impedido de entrar no local da apuração, estava do lado de fora e acompanhava bem apreensivo. Quando viu meu sorriso, ele me perguntou se tínhamos ganho. Disse que sim. E ele falou: “Depois de 16 anos, estamos voltando”. Pôs a mão no rosto e não conteve o choro de emoção. Nunca vou esquecer essa imagem. Nunca foi esquecer a sua alegria naquele instante.
Sérgio Eduardo Fisher foi uma grande referência para todos nós como advogado, como dirigente de OAB, como ser humano. Conhecia a Ordem como ninguém, e ele gostava de contar as histórias que tinha vivido. Aprendi, aprendemos muito com ele. Vai fazer muita falta. Muito triste! Muito triste.

Marcus Vinicius Cordeiro – Minhas lembranças de Sérgio Fisher. Eram poucos. Alguns bem jovens e outros não tão antigos, mas experimentados nas lutas que inseriam a advocacia tanto nas demandas próprias da corporação, como também, e com a necessária coragem exigida pelos tempos, naquelas da sociedade em geral. Homens e mulheres que faziam do destemor o pão nosso do dia a dia, equilibrando-se entre o prazo e a reunião, entre o caso do cliente e a causa de um país melhor. Dentre estes, e destacadamente, Sergio Eduardo Fisher. Advogado notável, reconhecido e respeitado pela comunidade jurídica nacional, Fisher fez parte do renomado escritório Law Offices Carl Kincaid, até a fundação de sua própria sociedade, em 1993, juntamente com Luciano Bandeira, atual presidente da OAB/RJ. E passo a passo com sua excelência profissional, notabilizou-se por sua marcante atuação institucional, levada a efeito de forma agregadora e desprendida. Era mentor e participante ativo do grupo que vislumbrava uma OAB/RJ defensora da Constituição, da ordem jurídica do Estado democrático de direito, dos direitos humanos, da justiça social; uma OAB para além das questões corporativas apenas. Ocupou na entidade os cargos de Conselheiro da OAB/RJ nos biênios 1987/1988, 1989/1990. No triênio 2007/2009 exerceu o cargo de Tesoureiro e foi Vice-Presidente na gestão de Wadih Damous entre 2010 e 2012. Presidiu o Tribunal de Ética e Disciplina entre 1987/1988 e no triênio 2013/2015. Nesse amalgama de profissional excepcional, querido por sua numerosa clientela, ouvido e respeitado pelos Tribunais por onde passou, e de incansável representante da advocacia, Sergio Eduardo Fisher deixará sua marca, um distintivo que aqueles que com ele conviveram e atuaram terão para sempre orgulho de ostentar. Sua partida é a expressão exata de nossas perdas. Com o seu espírito ponderado lá se vão fatias expressivas da dignidade, da ética, da hombridade, do dom de aglutinar e tantas de tantas qualidades, hoje senão em falta ao menos escassas, que quase nos levam a perder a capacidade. Mas não! Não seria de sua vontade, mormente para com os jovens, carentes que são de tão grandioso exemplo. Que então, a despeito desse dia eternamente triste, nos mantenhamos firmes em torno do quanto o nome Sergio Eduardo Fisher significa.

Nicola Manna Piraino – Enorme perda. O Fisher foi um grande advogado, sempre defensor da advocacia ética, além de um amigo. Sempre tranquilo, tinha característica singular: falava baixo e pausadamente. Tinha uma relação muito boa com ele. Tínhamos visões muito parecidas sobre o papel da OAB e do Judiciário.

Ricardo Menezes – Muito triste. Pessoa correta e do bem !!!

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