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Cannes 1971, primeiro título da sub-20

O artigo “Cannes 1971, primeiro título da sub-20” é de autoria do ex-ponta-esquerda campeão pela Seleção da categoria no primeiro título da Seleção Brasileira sub-20: Zé Roberto Padilha. Uma conquista inesquecível e que na próxima terça-feira, dia 20, vai completar 49 anos. Zé Roberto jogou posteriormente na vida profissional no Fluminense, Flamengo e Santa Cruz (PE).

“Eles não usavam os seus Enéas. Azar deles
Com exceção de Portugal, que em 1966 foi em sua colônia, Moçambique, buscar o Euzébio, se tornou fácil para um país miscigenado, como o nosso, descobrir títulos após títulos, jogadores e mais jogadores levantando o prêmio de melhor jogador da FIFA, que foi durante nossa colonização que nossos ancestrais, para fugir do açoite, da opressão, aprenderam a arte de driblar.
A arte de escapar seja do dono ou do marcador. Desde então, ninguém conseguiu marcar um Garrincha desses que produzimos nos quintais de nossas periferias.
Certamente por ter um tio que lá atrás lutou capoeira e uma tia que dançou Jongo ou Congada, Leônidas da Silva se lançou ao ar daquele jeito, ao inventar a bicicleta, já sabendo que sairia ileso ao desabar no chão.
E Didi, ao inventar uma falta cobrada com uma folha seca, devia ter no sangue, durante os quatro séculos da colonização portuguesa, uma gota de vingança para fazer com os goleiros o que seus tataravós sonhavam em fazer com os senhores da Casa Grande.
Vou me dar ao luxo de nem citar o que aprontou o nosso Rei, para dar oportunidades democráticas aos nossos críticos, caso contrario emudeceriam de vez.
A França, que tomou de 4×2 da nossa seleção em 1958, só alcançou seu primeiro título quando largou seus costureiros na Champs-Élysées e foi buscar em 1998 um argelino, Zinedine Zidane. E chegou ao bicampeonato com o camaronês Mbappé porque a matriz não foi capaz de competir com o talento e criatividade das “suas filiais”.
Em resumo: quando fomos disputar o primeiro dos mundiais sub-20, organizados pela FFA, em 1971, em Cannes, França, nosso time tinha, além do Jorginho Carvoeiro e o Nilson Dias para driblar os caras, um menino de 18 anos, negro, alto e escorregadio, sentado no banco de reservas e que quando entrava em campo infernizava a vida dos adversários. E decidia os jogos.
Enéas, da Portuguesa, não está na foto. Nem mais entre nós, ao falecer, vítima de um acidente de carro, aos 34 anos, em 1988. Mas nenhum dos nossos adversários (França, Hungria, Holanda, Cannes) haverá de esquecer o que esse menino foi capaz de aprontar.
Em sua memória dedicamos nosso título e suas lembranças, que serão revividas em uma Live na terça-feira, às 19h00, organizada por Alberto Lazzaroni, Ricardo Mazella e Antonio Carlos Gonzalez.
Eu, Abel Braga e Nielsen Elias, em nome de todos os pioneiros dos títulos mundiais sub-20, esperamos vocês”.”

Obs: A Seleção Brasileira era formada por Nielson, Marinho, Mário, Abel e Angelo; Rubens Galaxe, Marcos e Nilson Dias; Jorginho Carvoeiro, Clayton e Zé Roberto.

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