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Os bastidores jurídicos da eleição no Vasco

O renomado advogado trabalhista do Rio de Janeiro, Sergio Batalha Mendes conta em detalhes como se desenvolveu a tumultuada eleição para presidente do clube de futebol, Vasco da Gama. Não faltaram recursos à justiça para que os sócios pudessem exercer livremente o direito de voto. Um dos recursos foi feito pelo ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro e ex-deputado federal pelo mesmo estado, Wadih Damous.

“Leven Siano é eleito presidente do Vasco e Brant tenta um golpe no Judiciário. Ocorreu a primeira eleição direta da história do Vasco da Gama, com a participação de quase 3.500 sócios em um colégio eleitoral de pouco mais de oito mil sócios. Apesar das manobras judiciais do candidato Júlio Brant, executadas pelo seu patético preposto Mussa, o comparecimento dos sócios foi massivo.

Importante esclarecer que a eleição estava marcada para ocorrer no dia 07/11 e divulgada por um edital publicado no dia 29/10. No entanto, o presidente da Assembleia Geral, o preposto Mussa (que tem dois filhos e um sobrinho na chapa de Júlio Brant), resolveu insistir em realizar uma eleição exclusivamente on-line com pouco mais de uma semana de antecedência.

O absurdo é evidente para qualquer pessoa sensata. Não há uma lista de e-mails de sócios verificada, o que é um pressuposto necessário para a realização de qualquer eleição on-line. Mais do que isto, cerca de 40% dos sócios não tem e-mails inseridos na listagem de sócios aptos a votar.

Assim, na melhor das hipóteses, Brant pretendia alijar da eleição boa parte dos sócios para aumentar suas chances de vitória. Na pior, arquitetava uma fraude massiva, já que a empresa que realizaria a eleição seria vinculada ao seu preposto Mussa.

O único candidato que concordava com a eleição on-line era o próprio Brant, não por acaso. Marcou-se uma reunião entre os candidatos para buscar um acordo. Apenas Brant e seu preposto Mussa a ignoraram. Buscaram o Judiciário e obtiveram uma decisão liminar impondo a eleição on-line.

Na véspera do dia originalmente designado, 07/11, um desembargador cassou a liminar de Brant e manteve a eleição presencial originalmente designada. Apesar do atropelo, provocado por Brant e pela intervenção indevida do judiciário, os sócios compareceram em massa, assim como os candidatos e seus apoiadores.

Salgado e Júlio Brant participaram intensamente das eleições e faziam pesquisas de boca de urna para avaliar suas chances. No meio do dia perceberam que Leven Siano estava na frente. Salgado pediu para Brant retirar sua candidatura e apoiá-lo. Ele se recusou e continuou a participar.

No final da votação, quando a vitória de Leven Siano era prevista pelas pesquisas de boca de urna, Brant manda o seu deplorável preposto Mussa melar a eleição no STJ.

Inacreditavelmente, um “juiz” do STJ concede uma liminar suspendendo a eleição no final do dia, quando a maioria dos sócios já havia votado.
Como não houve a intimação formal da decisão, a eleição foi concluída, apesar do covarde abandono de Brant e Salgado, e apurada.
Leven Siano venceu e a eleição permanece sub judice. O que todos os vascainos decentes devem exigir é que a Justiça deixe que os próprios vascainos decidam os rumos do clube, validando a inequívoca manifestação de vontade dos seus sócios.

Chega de golpe! Leven Siano Presidente!”

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