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Maradona e a comparação impossível

O artigo “Maradona e a comparação impossível” é de autoria do renomado advogado do Rio de Janeiro, Sérgio Batalha:

“Nós, brasileiros, jamais entenderemos a relação entre Maradona e os argentinos. Tivemos Pelé, mas ele foi um ídolo em campo e só.

Maradona foi um ídolo que conseguiu representar a alma argentina. Foi o maior jogador de futebol da história do país, ganhou quase sozinho uma Copa do Mundo para o seu povo e brilhou intensamente nos gramados de todo o mundo. Mas foi além disto.

Diego Maradona foi um personagem também fora de campo. Sincero, passional, polêmico, mas sempre sintonizado com a alma argentina.

Tinha problemas com drogas e suas opiniões obviamente não eram uma unanimidade. Mas todos respeitavam seus posicionamentos, pois enxergavam nele uma integridade, uma paixão genuína, que tanto representa o modo de ser do argentino.

Nunca teve medo de opinar sobre as questões políticas do seu país e do mundo. Era um homem de esquerda e não escondia isto. Encontrou Fidel, Lula e Hugo Chavez, deixando clara sua visão de mundo.

Curiosamente, suas posições políticas e pessoais nunca afetaram a idolatria do seu povo pela sua figura. Maradona conseguiu pairar acima das polêmicas, era um símbolo como a bandeira ou o hino nacional.

Maradona foi um homem extraordinário porque não deixou o negócio milionário do futebol interferir na sua relação com o seu povo, ao contrário de Pelé e dos atuais craques, sempre preocupados com seu marketing pessoal.

Maradona sempre foi Maradona, dentro e fora dos gramados, encantando a todos pela sua originalidade, paixão e sinceridade. Muito além do futebol, conseguiu inscrever seu nome no panteão dos heróis da Argentina.”

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