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Lava-Jato: Uma turma da fuzarca.

Do presidente da Comissão da Justiça do Trabalho na OAB do Rio de Janeiro, Sergio Batalha: ” Um dos procuradores integrantes da força-tarefa da Lava-Jato resolveu reagir à revelação das mensagens trocadas pelo grupo e à torrente de críticas delas originada.

Enviou um e-mail aos colegas, divulgado em matéria do Globo, no qual admite “que pode ter passado dos limites”, mas atribuiu os excessos a “um ambiente de botequim” criado no grupo, com “emoção”, “indignação” e “brincadeiras”. Ressalvou que,no final, “sempre prevaleceu a razão”.
Ufa! Pensei que nenhum deles conseguiria explicar aquele conluio vergonhoso entre juiz e procuradores para condenar Lula com fins políticos. Mas agora está tudo explicado: Era brincadeira!
Acho que esta é uma linha de defesa muito melhor do que aquela bobagem de questionar a autenticidade e, ao mesmo tempo, dizer que o conteúdo das mensagens “não tem nada demais”. Pode, inclusive, se tornar um paradigma a ser utilizado por outros acusados.
Já posso imaginar traficantes ou políticos corruptos explicando mensagens interceptadas. “Eu disse que iria matar o cara e queimar o corpo no alto do morro? Brincadeira!”. “O governador me pediu propina para liberar o pagamento do precatório? Piada!”
Assim, podem esquecer os trechos em que eles relatam instruções de Moro para a produção desta ou daquela prova, bem como a obtenção de dados sigilosos de autoridades estrangeiras fora dos canais legais. Era uma piada!
E a declaração de Dallagnol de que a prisão de Lula seria um “presente da CIA”? Um chiste deste procurador zoeiro…Aliás, aquela imagem de evangélico de Dallagnol provavelmente era brincadeira também, porque o cara era o rei do “botequim” em que os procuradores se reuniam. Inventava brincadeiras o tempo todo!
O melhor é o “ambiente de botequim” em que os procuradores discutiam os processos da Lava-Jato. Que grupo divertido! Ficavam inventando manobras e conluios ilegais envolvendo os processos só para tornarem mais leve o ambiente de trabalho. Realmente, uma turma da fuzarca!
Creio que os ministros do STF devem dar uma boa gargalhada ao ler as mensagens trocadas e seu teor escandaloso. Provavelmente, vão menear a cabeça e comentar: “Que pessoal maluco!”.
Após muitas risadas e comentários espirituosos, vão mandar todos eles para a cadeia, porque um processo criminal é coisa séria e não deve ser conduzido em “ambiente de botequim”.