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Dia Mundial do Livro

“23 de Abril — Dia Mundial do Livro é uma data escolhida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para celebrar o livro, incentivar a leitura, homenagear autores e refletir sobre seus direitos legais. Essa data foi escolhida em tributo aos escritores Miguel de Cervantes, Inca Garcilaso de la Vega e William Shakespeare, que morreram em 23 de abril de 1616. Nesse dia, grandes obras da literatura mundial são relembradas, discutidas e reverenciadas. É uma oportunidade para celebrar os títulos de autores consagrados, como: Safo, Miguel de Cervantes, Mary Shelley, Machado de Assis, Thomas Mann, Graciliano Ramos, James Joyce, Aldous Huxley, George Orwell, Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Cecilia Meireles, Jorge Amado, Zélia Gattai, Cora Coralina, Carlos Drumond de Andrade entre outros.

O 23 de Abril, portanto, homenageia leitores, tradutores, editores, enfim, todos aqueles envolvidos com o livro, seja na sua produção, seja na sua recepção (leitura). É também a oportunidade de celebrar o autor, não apenas como artista, mas como detentor de direitos legais sobre suas obras. Veja três inesquecíveis: Luis de Camões, Monteiro Lobato, Machado de Assis, Eçá de Queiroz, Mario Vargas, Llosa, Gabriel Garcia Marques, Isabel Allende, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz, Miguel de Cervantes Saavedra e William Shakespeare.

Para comemorar o Dia Mundial do Livro, 10 títulos que você não pode deixar de ler.

1. Fragmentos completos, de Safo
A poetisa Safo nasceu na ilha de Lesbos, na Grécia antiga, país em que viveu entre os séculos VII a. C. e VI a. C. Sua obra chegou fragmentada até nossos dias, sendo que seu único poema completo é Ode a Afrodite. Assim, o livro Fragmentos completos traz a obra completa (e em pedaços) da autora. Sobre a vida de Safo, não há muita informação concreta. A sua biografia acaba sendo composta com base em pistas contidas em sua obra, uma poesia que, segundo Manuel Pulquério|2|: “[…] está ao serviço da expressão dum mundo de sentimentos, desde o êxtase da paixão amorosa e da ternura da vida familiar à ironia, à revolta e à ira, mas é o amor que constitui a fonte principal da sua inspiração”.

2. Dom Quixote, de Miguel de Cervantes
O romance Dom Quixote, de Miguel de Cervantes (1547-1616), conta as aventuras de um fidalgo que, depois de ler inúmeras novelas de cavalaria, começa a confundir ficção com realidade. O Cavaleiro da Triste Figura, Dom Quixote de la Mancha, consegue convencer o ingênuo Sancho Pança, que busca dinheiro e glória, a ser seu escudeiro. E para completar a realidade fantástica criada por sua loucura, ele encontra também uma dama para amar, a idealizada Dulcineia, um amor de fantasia. A partir daí, vai viver várias aventuras ao lado de seu escudeiro. Dom Quixote e Sancho Pança são personagens literários famosos no mundo todo. A história de Dom Quixote já foi adaptada várias vezes para o público infantil e juvenil. Quem nunca ouviu falar do louco Dom Quixote, que lutava contra moinhos de vento por pensar que eram gigantes, montado em seu cavalo Rocinante, apaixonado por Dulcineia e acompanhado pelo seu fiel escudeiro Sancho Pança? O romance original, na íntegra, é extenso e dividido em duas partes, ambas contam as aventuras do herói, em tom francamente irônico. Considerado a maior obra da literatura espanhola e um clássico da literatura mundial, o livro é uma sátira às novelas de cavalaria medievais. Assim, ironiza a figura do herói e da mulher idealizada, já que o protagonista não apresenta os dotes físicos de um herói e nem a amada Dulcineia, na verdade uma lavradora, possui o refinamento de uma dama.

3. Frankenstein, de Mary Shelley
O romance de ficção científica Frankenstein (ou o Prometeu moderno), da escritora britânica Mary Shelley (1797-1851), surgiu em um desafio proposto pelo poeta romântico Lord Byron (1788-1824): a escrita de uma história de terror. Com essa inspiração, o livro de Shelley conta a história do Dr. Victor Frankenstein e de sua criatura (um ser feito com partes de cadáveres), que, abandonada pelo seu criador, precisa descobrir sozinha como sobreviver. A trama adensa-se quando a criatura pede ao Dr. Frankenstein que crie para ela uma companheira. Quando o cientista decide não cometer o mesmo erro, ele se torna alvo da vingança implacável do monstro que criou — um Adão sem Eva ou um Prometeu moderno (na mitologia grega, Prometeu rebela-se contra o deus dos deuses, Zeus). O livro Frankenstein pode ser lido como um alerta sobre os perigos da interferência do ser humano na natureza, o que leva à discussão ética acerca dos limites da ciência. Também pode ser entendido como uma metáfora para a própria criação artística: a relação conflituosa entre autor e obra.

4. Quincas Borba, de Machado de Assis
Quincas Borba é um romance que faz parte da fase realista do escritor brasileiro Machado de Assis (1839-1908). Ele conta a história de Rubião, professor em Barbacena, que recebe uma herança de seu amigo, o filósofo Quincas Borba, com a seguinte condição: cuidar do cachorro do filósofo, que tem o mesmo nome do dono. Assim, a ironia tão característica do autor já se apresenta no título da obra, pois não se sabe se se refere ao cachorro, ao seu dono ou aos dois. Rubião muda-se para a corte, o Rio de Janeiro, onde vive o casal Sofia e Cristiano Palha. Ela, com a conivência do marido, seduz o ingênuo Rubião a fim de conseguir dinheiro para os negócios daquele. Além desse casal, Rubião é explorado por todos os “amigos” que o cercam. O livro, portanto, mostra, no jogo de interesses, a corrupção humana. Fato é que a riqueza sobe à cabeça do antigo professor, que começa a sofrer um processo gradual de enlouquecimento.

5. Morte em Veneza, de Thomas Mann
Morte em Veneza, livro do escritor alemão e Nobel de Literatura Thomas Mann (1875-1955), mostra a paixão de um velho escritor, Gustav von Aschenbach, pelo adolescente Tadzio, em franco diálogo com a chamada “pederastia grega”|3| da Antiguidade. Assim, o artista tem pelo jovem um amor idealizado, é fascinado pela sua beleza e juventude. Tadzio é, portanto, uma metáfora para a arte, a beleza que o artista buscou por toda a vida (que estava em seu fim) e que encontrou personificada em um adolescente. Nessa perspectiva, o culto à beleza ideal, tão característico da arte grega antiga, é retomado com base na idolatria de Gustav von Aschenbach pelo belo Tadzio.

6. Ulysses, de James Joyce
Ulysses, obra-prima do escritor irlandês James Joyce (1882-1941), é uma obra monumental dado o seu tamanho e caráter experimental. Uma obra repleta de neologismos, com fluxos de consciência (processo de pensamento do personagem), que relata, em mais de mil páginas (a depender da edição), um dia na vida dos habitantes de Dublin (capital da Irlanda), tendo como personagem principal Leopold Bloom, um homem extremamente comum, que pode ser entendido como o herói (Ulisses ou Odisseu) moderno. O livro, portanto, dialoga com a obra Odisseia, do escritor grego Homero.

7. Admirável mundo novo, de Aldous Huxley
O livro Admirável mundo novo, do escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963), foi publicado, pela primeira vez, em 1932. A obra revela um mundo distópico (isto é, não utópico, imperfeito), uma realidade futura vivenciada pela ausência de dor e conflitos, com pessoas adaptadas às regras de uma sociedade opressora totalmente controlada pela ciência. Nesse mundo, as pessoas vivem alheias à realidade, com direito a receberem uma cota de “soma”, uma droga alienante. No entanto, existe um lugar chamado Malpaís, onde vivem os não civilizados. Lá, o personagem Bernard conhece o selvagem John. Ao conhecer o “admirável mundo novo”, John, o elemento conflitante da obra, passa a questionar aquela realidade supostamente perfeita.

8. 1984, de George Orwell
O romance 1984, do inglês George Orwell (1903-1950), publicado pela primeira vez em 1949, é mais uma obra distópica que apresenta uma realidade futura. Assim, no ano de 1984, o pensamento de todos é controlado pelo Grande Irmão (Big Brother). Nesse contexto, as pessoas são vigiadas o tempo inteiro e a história oficial é manipulada e reescrita diariamente. Nessa perspectiva, um dos instrumentos de controle do pensamento utilizado pelo Partido é a “novilíngua” — uma nova língua, derivada do inglês, em que se observam a recriação de palavras, de forma a alterar seus sentidos, e a eliminação de tantas outras que pudessem representar uma ameaça ao regime totalitarista vigente na história. A distopia de Orwell envolve um Estado de completa vigilância.
Assim, quando Winston Smith, o protagonista, passa a questionar a “verdade” disseminada oficialmente, ele se torna uma ameaça a ser eliminada pela Polícia do Pensamento. Portanto, na realidade distópica criada por Orwell, pensar e questionar é uma atitude criminosa passível de pena de morte e a liberdade inexiste, pois até o seu conceito é eliminado.

9. A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector
A paixão segundo G.H. é uma das obras mais herméticas (difíceis de compreender) da escritora brasileira Clarice Lispector (1920-1977). Basicamente, conta a história de uma dona de casa de classe média que demite sua empregada. Ela está sozinha em casa, vai até o quartinho da empregada, olha o armário vazio, vê e mata uma barata. A partir daí, G.H. inicia um fluxo de consciência epifânico (pensamentos reveladores), pois ela passa a refletir sobre a própria existência humana. Veja também: Modernismo no Brasil – corrente literária da qual Clarice Lispector fez parte

10. Morangos mofados, de Caio Fernando Abreu
O livro de contos Morangos mofados, do escritor brasileiro Caio Fernando Abreu (1948-1996), traz o desencanto em relação ao movimento de contracultura, que teve seu auge nos anos 1960. Publicados, pela primeira vez, em 1982, esses contos tornaram-se representantes de um sonho que não se realizou ou que simplesmente acabou, um “fracasso” metaforizado pela expressão “morangos mofados”. Sobre o conto que dá título à obra, o escritor escreveu o seguinte: “Fiquei completamente cego enquanto escrevia, a personagem (um publicitário, ex-hippie, que cisma que tem câncer na alma, ou uma lesão no cérebro provocada por excessos de drogas, em velhos carnavais, e o sintoma — real — é um persistente gosto de morangos mofados na boca) tomou o freio nos dentes e se recusou a morrer ou a enlouquecer no fim”. Nesse livro, estão também os famosos contos “Sargento Garcia” e “Aqueles dois”, cuja temática homoerótica, recorrente na obra do autor, transita entre o erotismo explícito, no primeiro, e a denúncia de intolerância e discriminação, no segundo.

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