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Joaquim Barbosa x Marco Aurélio

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto, não permitiu a publicação, no site oficial da Corte, de uma nota de caráter pessoal que o ministro Joaquim Barbosa pretendia divulgar. A carta é uma resposta a um comentário do ministro Marco Aurélio de que o futuro presidente do STF (Joaquim Barbosa) não teria condições ideais de exercer o cargo, tendo em vista o seu temperamento, e especialmente a “agressividade” que tem demonstrado, como relator da ação penal do mensalão, nos debates travados com o ministro-revisor, Ricardo Lewandowski.

Na última quarta-feira, o bate-boca entre os dois chegou ao auge, e Marco Aurélio dirigiu-se publicamente a Barbosa nos seguintes termos: “Ministro, policie a sua linguagem”. De acordo com informações correntes no Supremo, o ministro Ayres Britto teria feito ver ao seu colega Joaquim Barbosa, atual vice-presidente do tribunal, que o site deve se limitar à publicação de notícias objetivas e matérias institucionais. (site Terra)

Nota do ministro Joaquim Barbosa:

“Um dos principais obstáculos a ser enfrentado por qualquer pessoa que ocupe a Presidência do Supremo Tribunal Federal tem por nome Marco Aurélio Mello. Para comprová-lo, basta que se consultem alguns dos ocupantes do cargo nos últimos 10 ou 12 anos. O apego ferrenho que tenho às regras de convivência democrática e de justiça me vem não apenas da cultura livresca, mas da experiência concreta da vida cotidiana, da observância empírica da enorme riqueza que o progresso e a modernidade trouxeram à sociedade em que vivemos, especialmente nos espaços verdadeiramente democráticos.

Caso venha a ter a honra de ser eleito Presidente da mais alta Corte de Justiça do nosso País nos próximos meses, como está previsto nas normas regimentais, estou certo de que de mim não se terá a expectativa de decisões rocambolescas e chocantes para a coletividade, de devassas indevidas em setores administrativos, de tomadas de posição de claro e deliberado confronto para com os poderes constituídos, de intervenções manifestamente “gauche”, de puro exibicionismo, que parecem ser o forte do meu agressor do momento.

Ao contrário de quem me ofende momentaneamente, devo toda a minha ascensão profissional a estudos aprofundados, à submissão múltipla a inúmeros e diversificados métodos de avaliação acadêmica e profissional. Jamais me vali ou tirei proveito de relações de natureza familiar”.

 

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