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A Fera da Penha

Dentro de dois meses, no dia 2 de março, Neide Maria Maia Lopes, mais conhecida da população mais antiga do Rio de Janeiro pela alcunha de A Fera da Penha, irá completar 80 anos. Ela ficou conhecida pelo sequestro e assassinato de uma criança de 4 anos, Tânia Maria Coelho Araújo , em um caso rumoroso ocorrido em 30 de junho de 1960 que chocou a sociedade brasileira da época. Neide sequestrou, matou e queimou o corpo de uma das filhas de seu então amante, Antonio Couto Araujo, a menina Tania de apenas quatro anos de idade.

O julgamento ocorreu entre 4 e 5 de outubro de 1963. Após 16 horas de sessão, o júri votou pela condenação de Neide, pelo sequestro (7 votos a 0) e pelo homicídio (6 votos a 1). O juiz Carlos Luiz Bandeira Stampa (já falecido), presidente do II Tribunal do Júri, proferiu a sentença de 33 anos de prisão (30 pelo homicídio e 3 pelo sequestro) em regime fechado. Por conta da pena ter ultrapassado mais de 20 anos, um segundo julgamento foi solicitado pelo advogado de defesa. Esse julgamento ocorreu apenas entre 20 e 21 de abril de 1964.. Esse segundo julgamento apenas confirmou a sentença (por 6 votos a 1). A decisão dos julgamentos só seria confirmada pela justiça em 1966.

Após cumprir 15 anos de prisão (sendo sua pena reduzida através de indulto de 33 para 21 anos), Neide Maia Lopes foi solta em 9 de outubro de 1975. Viveu durante muitos anos em companhia dos pais, até o falecimento deles. Desde sua libertação até os dias atuais, tornou-se uma pessoa reclusa, vivendo em uma casa no bairro de Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro.

Tanto a família da menina de 4 anos quanto a responsável pelo crime que chocou o país ainda são assombradas pelas cenas daquele 30 de junho de 1960. Nesse dia, a Fera da Penha pegou um revólver 32, deu um tiro na nuca de Tânia e incendiou o seu corpo num matadouro de bois localizado no bairro da Penha.

Mesmo depois da tragédia causada por sua amante, Antônio Couto Araújo, pai de Taninha, continuou casado com Nilza Coelho Araújo. Fizeram bodas de ouro. Além de Solange, que já era nascida na época, tiveram outros três rebentos. Hoje são seis netos e dois bisnetos.
— Deus me levou uma, mas me deu mais três — conta Nilza, de 70 anos, na primeira vez em que falou sobre o assunto em uma entrevista.

A única recordação palpável de Taninha é uma foto guardada na residência do casal de idosos. Antônio evita conversar sobre o crime. O assassinato é uma espécie de tabu para ele. Mas as lembranças não deixarão de existir, disse recentemente o pai.

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