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O juiz do caso A Fera da Penha

A rua Carlos Luiz Bandeira Stampa, localizada no bairro do Itanhangá, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, tem um simbolismo histórico na vida da cidade. Em 1963, o então juiz Carlos Luiz Bandeira Stampa (já falecido), no cargo de presidente do II Tribunal do Júri, proferiu a sentença de 33 anos de prisão (30 pelo homicídio e 3 pelo sequestro) em regime fechado de Neide Maria Maia Lopes, mais conhecida da população mais antiga do Rio de Janeiro de A Fera da Penha. Ela ficou conhecida pelo sequestro e assassinato de uma criança de 4 anos, Tânia Maria Coelho Araújo , em um caso rumoroso ocorrido em 30 de junho de 1960 que chocou a sociedade brasileira da época.

Com a mudança da capital da República para Brasília e a criação do Estado da Guanabara em 21 de abril de 1960, Stampa tornou-se membro do Judiciário do Rio de Janeiro, onde veio a integrar a primeira composição do Tribunal de Alçada criado pela Lei nº 489, de 8 de janeiro de 1964, presidindo-o até 1966.

Ascendendo ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado da Guanabara, entrou em exercício no dia 5 de maio 1969, onde permaneceu até a extinção desta corte pelo Decreto-Lei nº 3, de 15 de março de 1975, que também criou o Tribunal de Justiça do atual Estado do Rio de Janeiro. Veio assim a integrar a sua primeira composição, sendo eleito presidente, em 18 de dezembro de 1978, para o biênio 1979-1980.

Lecionou Direito Penal na Faculdade Cândido Mendes e Sistemas Penais na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC). Presidiu o Simpósio Internacional de Sistema Penal, realizado em 1967, e dirigiu o Instituto de Pesquisa de Criminologia da Universidade do Estado da
Guanabara.

Aposentou-se em 15 de julho de 1982, vindo a falecer no dia 14 de junho do ano seguinte, em sua cidade natal.