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Depois de 2002, nunca mais!

O ex-jogador do Fluminense (no tempo da Máquina), Flamengo e Santa Cruz, de Recife, José Roberto Lopes Padilha, mais conhecido como Zé Roberto, escreveu hoje (27) o artigo Depois de 2002, nunca mais! para marcar o último título mundial de futebol conquistado pela Seleção Brasileira há 18 anos, no Japão. Zé Roberto, de 68 anos, mora em Três Rios (RJ), cidade onde nasceu, estudou Direito na Universidade Gama Filho e depois se formou em jornalismo:

“Ronaldo, o Fenômeno, ganhou três vezes a Bola de Ouro da Fifa. Ronaldinho, duas vezes e Rivaldo, uma. Os três atacantes que desequilibraram a última Copa do Mundo vencida pelo Brasil, em 2002. Depois deles, nenhum brasileiro a alcançou, Neymar apenas tem sido indicado entre os três finalistas. Sum uma unanimidade dessas, reconhecida pelo mundo da bola, dificilmente ganharemos o hexa.

Não é difícil saber porque não temos mais candidatos a Bola de Ouro da Fifa por aqui. Há algum tempo, estão sacrificando no nascedouro a formação de cada uma genialidade. Que incluía outro Bola de Ouro e campeão do mundo em 94, o Romário.

As periferias da Vila da Penha, Irajá, Paulista, em Pernambuco, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul formavam os seus laboratórios. Com um mesmo cenário: um campo de terra batida, o mesmo instrumento de trabalho, uma bola de peso e feições variáveis, e pés descalços.

Com o primeiro e seus montinhos artilheiros, desenvolveram um arsenal de recursos diante de uma bola que não tinha destino próprio. A gama de variações e inovações que criaram diante de uma campo irregular e uma bola ora de pano, plástico, dente de leite e de couro aos domingos, desobstruiu qualquer limitação aos seus aprendizados.

A eles anexaram o tato. Tudo era praticado com os pés descalços, à flor da pele e de suas sensibilidades. Como no basquete, sem luvas, chuteiras…Apenas quando alcançaram os infantis, aos 15 anos, calçaram suas chuteiras, mas a habilidade e o contato direito já haviam sido estabelecidos.

A hegemonia do Brasil se perpetuaria se o capitalismo selvagem não desse às mãos, bolso e corrupção à Fifa para colocarem no mercado chuteiras linda e irresistíveis para as crianças. A Sony as tirou dos campinhos e trancaram nossos filhos com o Playstation em que o Cristiano Ronaldo ainda é mais humano do que ele mesmo.

E os clubes de futebol tiraram das suas divisões de base os ex-jogadores, como Assis, Liminha, Sebastião Leonidas, Delei, Rubens Galsxe, impedindo-os de repassar conhecimentos. Em seu lugar entraram os brucutus com uma senha, um CREF. Certifico e Reconheço ser Estranho ao Futebol. Então, esqueçam ganhar uma outra Copa do Mundo. Quer mais um exemplo?

Estão inaugurando em Três Rios uma franquia da Escolinha do Flamengo. Quem o defendeu, eu e meu primo Vinícius, não podemos dar aulas porque não temos o CREF. Exigência contratual. Já treinei nas divisões de base do Fluminense, campeão carioca Infantil, 87, e Juvenil, 89, e profissionalmente o Entrerriense FC, campeão da Divisão Intermediária 94 e classificado para o Octogonal Decisivo de 95. Não fui aceito.

Vão treinar em gramados sintéticos, calçarão chuteiras e serão treinados por quem nunca deu um peteleco na bola. A fila para inscrever meus netos já virou o quarteirão. Não serão criativos como o avô, serão tão previsíveis como nosso futebol.

Incapaz de manter suas origens. Conservar o seu pulo do gato. Ser o futebol brasileiro outrora respeitado”.

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