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Emmanuel, o sobrevivente

A matéria é de autoria da jornalista Fabiola Gois, hoje residindo e trabalhando na Nigéria

O motorista Emmanuel, 40 anos, é um sobrevivente. Ele teve a casa alvejada por tiros, por três vezes pelo Boko Haram quando morava em Kano, no Noroeste da Nigéria. Emmanuel é Iorubá, cristão, nasceu em Kogi State, e, há 6 anos, deixou tudo para trás para tentar a vida em Abuja. Tem mulher e três filhos de 9, 8 e 6 anos. O pai já morreu, mas a mãe é viva e também mora na capital. Tem um pequeno comércio que garante o seu sustento.

Assim como ele, mais de 2,4 milhões de pessoas fugiram das suas casas devido ao conflito no nordeste da Nigéria e passaram a viver como refugiados ou deslocados, segundo dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Os conflitos também se espalham pelos vizinhos Camarões, Chade e Níger. No sábado, dia 28, o país sofreu mais um ataque do Boko Haran, que matou 110 fazendeiros em Maiduguri, no Norte da Nigéria. A estimativa é que eles são responsáveis pela morte de mais de 30 mil civis em 10 anos.
Não é fácil nascer e sobreviver na Nigéria. O negro que resiste e chega a idade adulta trava batalhas diárias e peleja até morrer, a não ser que tenha nascido em família rica. A Nigéria ainda se encontra entre as nações com os maiores níveis de pobreza do mundo, apesar de ostentar a primeira posição entre as economias africanas. Aproximadamente 85 milhões de nigerianos vivem com menos de U$ 2 dólares por dia
Emmanuel peleja pra criar os três filhos do jeito que pode. Não costuma reclamar da vida. O que mais me impressiona é que esse homem é dono da melhor gargalhada que já ouvi aqui na Nigéria. Peço perdão a Euclides da Cunha pela palavra trocada, mas é preciso dizer que “o negro é, antes de tudo, um forte”.
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