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Vasco terá vice-presidência LGBTQ+

Escolhido presidente do Vasco da Gama por meio de voto de dois desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio der Janeiro, o novo presidente do clube cruzmaltino, Jorge Salgado vai criar uma vice-presidência  exclusiva para tratar da ligação com os torcedores do clube do grupo LGBTQ+ ( gays, lésbicas, bissexuais e transexuais) e da aproximação com a comunidade da Barreira do Vasco, vizinha ao estádio de São Januário.

Para o advogado Sergio Batalha, Jorge Salgado é “um usurpador na presidência do Vasco da Gama, escolhido por dois desembargadores em desrespeito à vontade de 3.500 sócios que votaram no dia inicio de novembro”.

Segue o repúdio do advogado vascaíno

“Dois desembargadores votaram contra o relator que havia determinado a manutenção da data de 07/11 para a realização das eleições no Vasco. Elegeram com seu voto vencedor, por dois a um, o empresário Jorge Salgado como o novo presidente do clube.
Os dois votos dos desembargadores valeram mais do que os votos dos quase 3.500 sócios do Vasco que compareceram para votar em São Januário no dia 07/11. Eu era um deles e passamos horas na fila organizada fora do estádio para evitar aglomerações.
Mas como se iniciou todo este absurdo processo no qual a vontade dos sócios do Vasco foi ignorada pela Justiça do Rio de Janeiro?
A eleição direta no Vasco foi aprovada por unanimidade no Conselho Deliberativo do clube. Aparentemente, estaria tudo certo para o Vasco realizar a primeira eleição direta da sua história.
No entanto, no dia 28/10, o presidente da assembleia geral Mussa, apoiador de Júlio Brant, publica edital determinando a realização da eleição no dia 07/11 exclusivamente on-line e indicando uma empresa por ele escolhida para organizar o pleito. Ou seja, em menos de dez dias seria realizada uma eleição virtual sem qualquer certificação dos e-mails do cadastro do clube.
O presidente do clube e o presidente do conselho deliberativo se opuseram a esta decisão, bem como todos os candidatos, com exceção do próprio Brant. Campello mandou publicar novo edital marcando a eleição presencial para o dia 07/11 na sede do clube.
Mussa (leia-se, Júlio Brant) ingressou na Justiça e obteve uma absurda liminar que obrigava o clube a fazer uma eleição on-line no dia 14/11. Esta liminar foi cassada pelo desembargador Ruliere no dia 06/11 e a votação realizada no dia 07/11.
A votação transcorreu sem incidentes desde às 09:00h, com intensa campanha dos cinco candidatos, e estava programada para se encerrar às 22:00h. Percebendo a iminente derrota (as chapas fazem enquete com os eleitores que saem da votação), Brant determina às 19:00h que o seu preposto Mussa busque uma absurda e ilegal decisão do presidente do STJ para suspender a eleição.
Como não houve tempo para a comunicação formal da decisão, a Mesa das eleições mantém a votação e apura os votos. Leven Siano vence, Salgado ficam em segundo lugar e Júlio Brant em terceiro.
Antes da decisão do presidente do STJ ser cassada por outro ministro da Corte, Mussa realiza no dis 14/11 uma outra eleição on-line, organizada por ele, com a empresa por ele escolhida e com apenas dois candidatos: Salgado e Brant. Os demais candidatos não reconheceram o pleito e sequer foram incluídos na cédula de votação.
Nesta votação, com a participação de menos sócios e sem qualquer verificação dos votantes, ao contrário da eleição presencial, Salgado venceu Brant.
Ontem, os dois desembargadores decidiram que esta segunda eleição deveria prevalecer. O motivo foi o de que a modalidade on-line seria mais conveniente durante a pandemia e é autorizada por lei.
Mas e a eleição do dia 07/11? Foi ilegal ou fraudada? Não, os desembargadores não afirmam isto em momento algum. Simplesmente optaram pela eleição que elegeu Salgado, embora tenha ocorrido depois, sem a maioria dos candidatos, com menos eleitores e sem a chancela dos poderes do clube.
Em resumo, os desembargadores resolveram escolher o presidente do Vasco eles mesmos, ignorando a vontade dos sócios do clube. Dificilmente alguém pode acreditar que os argumentos para escolher Salgado foram os apresentados. A maioria dos grandes clubes brasileiros realizaram eleições presenciais neste período, sem falar das eleições municipais. Mas, e daí? Os desembargadores tem seus próprios e insondáveis motivos para meter a mão na eleição do Vasco e alterar seu resultado.
Agora teremos mais um presidente ilegítimo na história do clube e mais uma frustração para sua torcida, que esperava um espetáculo democrático nas primeiras eleições diretas do Vasco. Até quando assistiremos à usurpação de poderes pelo Judiciário? Fora Salgado, presidente do tapetão!”
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